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Abr 09

 


Provavelmente quando ler isso, eu estarei saindo pelo portão.

Me desculpe por ser tão covarde e não me despedir da forma convencio

nal, aquela que envolve mais palavras amargas, meio sorrisos, talvez algum abraço falso perdido no ar, lágrimas, e o elemento essencial: a dor. Por te deixar de novo, por me odiar por te odiar mesmo que por alguns minutos, por desistir de tentar se feliz nessa casa.

As vezes quando eu estava no trabalho, na noite escura como uma xícara de café numa cozinha sem lâmpada, eu pensava em casa, pensava em você, e no meu quarto, e em deitar minha cabeça no seu colo e ouvir suas reclamações sobre a vida, e eu sentia falta disso. Sentia falta de tudo isso: do calor das suas mãos, das suas raras risadas, e até das velhas frases amarguradas da sua vida, sentia falta desse sentido de "lar" meio obsessivo e solitário, mas o único que eu conhecia, enquanto eu estava lá, eu pensei que tudo podia ser diferente entre a gente, que haveria respeito, e compreensão. Era ilusão.

Sempre que eu voltava pra casa, seja daonde estivesse vindo, pensava que tinha pra quem voltar, que tinha um "alguém" que me amava, mesmo sem me conhecer o suficiente. Ou aceitar como eu era, que esse alguém..poderia ser capaz de me entender.

Você sempre foi esse alguém pra mim.

Como eu posso dizer que sou grata, realmente, sinceramente grata por tudo o que me fez, mas que não é a sua vida que eu quero pra mim??

Como eu posso dizer que não me orgulho quando vejo assim tão morto e triste o coração mais batalhador e digno de orgulho que já conheci??

Vó, a senhora é toda minha família, todo o meu mundinho esta em você, e no nosso relacionamento paranóico , e por isso te daria minha vida, o mundo, tudo o que precisa ou quer , e o que não tenho eu...faria mais do que o possível pra conseguir te dar.

Por que diante de tudo o que te ofereço você me pede minha liberdade??

Você proibi a felicidade dos meus pensamentos, tolos, bobos, apaixonáveis.

Mas meus..são meus. Todos eles, todas essas palavras, meus textos, meus desenhos, meus livros e músicas, junto com meus sonhos são tudo o que eu tenho. Meus tesouros.

São idiotices como a senhora diz, talvez nunca me levem a lugar nenhum. Mas e agora, onde estou, que lugar é esse?? o que estou tentando proteger é melhor do que posso ganhar indo embora daqui??

Eu sou fraca, gostaria de ser como você. Forte o suficiete pra suportar ser mãe solteira de dois meninos e compreensiva pra aceitar criar uma adotiva, tolerante pra trabalhar com uma mãe doente e resmungona, ser mais do que mulher, cuidar tanto dos outros a ponto de se esquecer de como é olhar seu rosto no espelho. Eu não sou assim.

E acredite eu gostaria de mudar, muito. Por todo mundo qe me ama e espera mais, e espera que eu seja..normal de um jeito que eu não entendo, ser mais do que isso que sou. Do que o grande nada que sou, mas não posso. Isso, essa coisa de sonhar, nasceu em mim.Nem a corda mais forte do mundo pode me prender ao chão. Meus pensamentos me levam e meus sentimentos me arrastam.


Por favor, não me odeie. E se não conseguir, também não precisa me amar mais. A senhora deu um quarto de vida em meu nome, da minha educação, alimentação, cuidados, e agora o que eu dou?? um adeus. Numa carta com uma letra horrível.

Eu te amo, pra sempre. E nunca vou te esquecer, estou te levando comigo, só não posso mais ficar aqui. Vendo- a morrer aos poucos, se matar com a tristeza de viver.

Por favor acredita em mim. Tentei, o máximo que pude, ser  um pouco mais do que queria que fosse.

P.S:.Lembra que uma vez me perguntou por que todos meus amigos me chamam de Serena, ao invés de Priscylla, é porque eu pedi, só você pode me chamar assim, só você pode brigar comigo e me odiar por ser quem sou, por ser filha de quem sou. Priscylla vai sempre carregar mágoa, neurose e tristeza. Serena é esperança, de que..talvez eu seja diferente dos meus pais, de que faça minhas escolhas com liberdade.

Com carinho e saudades. Serena pra eles. Priscylla pra Vó Bela.

publicado por serenaatedemais às 02:21
Precisando de : abandonada
Ouvindo: Hurt - Johnny Cash

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