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Jan 09

Tem dois anos que tenho blog, mas nunca escrevi uma linha sobre meu aniversário. E nem sei por que não o fiz antes. Adoro aniversários, aprendi a gostar quando era pequena. Meu pai me ensinou que nesse dia eu teria que avaliar tudo o que fiz durante um ano, e considerar se foi bom ou não, e o que eu poderia ter feito pra melhorar as coisas. Ele também me ensinou a me presentear, sempre que fizesse algo que tenho medo ou que pensasse que não tinha coragem o suficiente pra fazer.

Ele me ensinou a contar estrelas de dois em dois, porque acreditava que as estrelas eram namoradeiras e viviam em par. Me ensinou que o ato de nascer é tão lindo quanto o de término da vida, pois é quando uma nova história pode ser reescrita dia após dia. Por isso eu gosto de ler, amo meus livros e vivo cada conto que leio.
Meu pai gostava dos meus cabelos e só ele sabia como mexer neles pra me fazer dormir. Uma vez um cara mexeu no meu cabelo daquele jeito, estávamos dentro de um táxi e eu queria um engarrafamento. O Pedro Pintor como chamavam meu pai, não gostava de futebol, gostava dos exercícios mentais, e por isso durante 4 aniversários me deu livros. Eu acho que ele gostaria de futebol se me visse jogando no 2° ano, como goleira.
Minha mãe já foi cigana, do verbo “não parar quieta em canto nenhum” uma vez ela veio duas semanas depois do meu aniversário e me deu uma saia de cigana, eu fiquei alguns meses usando, e mal podia me separar dela que abria o berreiro.
O pior aniversário de que me lembro foi na 3° serie porque eu reprovei, mas ninguém brigou comigo porque era “O meu dia”, então meus tios nem olharam na minha cara, apenas deixaram recado com a minha vó. Meu pai não apareceu.
Depois na véspera do Natal, ele veio e me entregou uma pulseira com três pedrinhas brilhantes e disse que uma era eu, a outra ele, a última meu irmão. Que sempre estaríamos juntos, e que quando eu ficasse com saudade usasse a pulseira. Dias depois, desastrada como sou quebrei o fecho, chorei dias e dias pedindo pra minha vó arrumar, como ela não quisesse,  eu roubei fita durex e enrosquei na pulseira toda, mas nem assim deu jeito.
Minha bisavó sempre me dava calcinhas com estampas engraçadas: Teletubbies, Mickey mouse, pato Donald, a que eu mais gostava era do Snopp. Depois que ela morreu nunca mais me deram calcinhas como aquelas. Ela costumava me abraçar bem apertado e dá um beliscão na minha bunda. Eu ficava tão pertinho que sentia o cheiro de talco. Nos outros dias do ano sempre brigávamos, mas no meu aniversário podia sentir que “aquilo” entre a gente era amor.
Desde pequenininha minha vó me acordava cedo, me dava um abraço e falava coisinhas no meu ouvido, as vezes eu nem entendia porque tava embriagada de sono, mesmo assim sempre chorávamos. Porque como minha vó trabalhava o ano inteiro,saia super cedo e chegava tarde da noite, nesse dia ela chegava atrasada no trabalho só pra me dar aquele abraço, além de ir a padaria e comprar  um pedaço de rocambole pra mim, o que virou uma espécie de “tradição”. Todos os meus aniversários têm coisas diferentes, legais, únicas e que fazem eu me sentir amada. Não pelo presentes, ou pelos desejos de felicidade, parabéns e blábláblá, mas pelas  pessoas que estão comigo que o tornam o melhor que qualquer outra coisa poderia ser.
Obrigada.
Por estarem comigo, me suportar, me ouvir, por entender que as minhas palavras são tudo que posso oferecer como agradecimento por serem tão maravilhosos.
Apenas Obrigada.
publicado por serenaatedemais às 18:23

comentário:
putz...q minina mimada essa!

mesmo assim, mto bacana a historia

bejao
henrique possebon a 7 de Fevereiro de 2009 às 17:09

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