18
Mar 09

Por onde começar?? Pelo começo seria o normal, mas prefiro do meio.

"No meio do caminho tinha uma pedra", no meio da minha vida tem..Ele.

E tudo pode não ter começado por aqui, mas esta rumando por entre minhas veias dentro de mim. As coisas estavam pelo meio quando meus sonhos/pesadelos me fizeram ficar noites e mais noites sem dormir, pensando na minha "pedrinha" de um metro e noventa e seis e como eu poderia mudar sua direção. Há mais ou menos 7 meses estou vazia, com um buraco no lugar do peito, mais do que um membro faltando, é como se eu nem existisse ou sentisse nada. Eu conseguia me levantar pela manha e pensar "Nunca mais irei vê-lo, viva com isso, conviva com isso. Você não morreu". Eu estava certa, estava sobrevivendo a cada dia sem ele, sem notícias, ver fotos, e evitando pensar nele, o que era com certeza impossível. Ele dormia comigo, acordava e passava o dia devagar demais enquanto eu fugia das alucinações. Tentando um dia de cada vez, eu pensei estar indo bem. Até semana passada. Quando eu desaprendi a respirar, e a minha capacidade de raciocínio se tornou mínima (ou menos que isso) com a pequena probabilidade de estar perto dele de novo. Já havia passado tempo o suficiente - eu pensava- "estou madura, não sou mais criança, posso fazer isso. Apenas vê-lo e ir embora. sem recaídas mocinha!" , era o meu eu mais velho alertando pra dor. Foi mais ou menos isso, eu estava em pé conversando com outra pessoa falando dele, e de repente...não mais que de repente escutei sua voz. Se tivesse um monitor cardíaco ao meu lado teria feito um piiiiiii durante 5 segundos antes de voltar vigorosamente a marcar meus batimentos ainda descompassados. Eu me virei deslumbrada, com sua voz, seu sorriso e tudo mais. Ele me abraçou, apertado, junto demais. Fiquei meio tonta, ainda sem respirar, pensando em algo coerente pra dizer.

"As sensações voltaram mais forte agora, por que???" - pensei.

Porque eu sou estupidamente incapaz de me mover quando ele esta por perto.

Eu gostaria de explicar a situação claramente mas não posso, colocar nomes, ou descrever os acontecimentos com exatidão, o texto seria demasiado exagerado vindo de mim. Como sempre o é.

Resumindo, eu fiquei ao lado dele, mesmo quando devia ter fugido, e fugi mesmo quando queria ter ficado. E fiz o que qualquer pessoa diria ser loucura. Eu o perdi.

É isso o que acho, não que realmente eu o tenha tido. Eu tentei entender em mim o porque daquelas reações tão adversas, minha necessidade dele, mas meu afastamento, meu aproximamento de outros caras nos últimos meses, o porque de eu tentar tanto e tão dolorasamente ir em frente, o porque de tentar (e apenas tentar e nunca conseguir) esquecê-lo.

Eu estava numa Igreja, e ele na minha frente vestido de noivo, sorriu pra mim, mexeu no meu cabelo, se aproximou e beijou minha testa, e toquei seu rosto, seus olhos fechados sentindo meu calor. De repente ele abre os olhos e diz - Ali vem ela! - com um sorriso não tão bonito quanto eu me lembro, mais melancólico eu diria.

Quando eu me viro, vejo a Barbie Malibu (filha da p*%A) vestida de noiva, indo em direção a ele. Começo a chorar, e pergunto a ele - Você a ama??

e ele me acusa - Você ama o S47184S!- eu choro, choro, e grito - Eu te amo, sempre te amei, e tudo o que quis era te ver feliz, por isso fiquei calada, por isso tentei, tentei, te esquecer, tentei ser normal, ficar, pegar seja lá que diabo todos fazem, mas cada boca que beijava..era na sua que eu pensava, cada passo pra longe que dava, pensava que seria melhor pra você se eu não complicasse as coisas dando uma de maluca apaixonada a seus pés!- Eu só queria..te ver feliz - eu disse quase sussurrando - sou muito pouco pra você, desajeitada, feia, egoíta e tudo mais...só queria que fosse feliz, mas agora..vendo ela, eu não suportaria te ver com outra, imaginar era uma coisa, mas ver...? - e voltava a chorar.

Acordei assim as tantas da madrugada, suada e cansada, mais uma semana como essa sem dormir e pronto, eu viraria um membro da família Cullen por causa das olheiras "charmosas" que estava ganhando. Depois, não dormi mais.

Foi aí que eu percebi que não poderia mais esperar, tentar impedir, ou tentar esquecê-lo, fazer o sentimento simplismente sumir, não depois de tê-lo tão próximo a mim. Eu vou lutar.

Eu fiz besteira, algo que o magoou ou decepcionou, mas.. não vou desistir, estou cansada desses pesadelos estúpidos me dizendo o que eu não quero gritar. Eu o tive a menos de 20 cm de mim, e o deixei ir embora sem saber..

O quanto o amo, o quero. Mas agora..eu vou até o fim com isso. Mesmo que o sentimento não seja recíproco.

O que me assusta não é saber que nunca vou amar outro como o amo, isso é óbvio, o problema é sentir que não POSSO mais amar, nenhuma outra pessoa, eu simplismente não consigo. E isso é uma confissão de um crime sem perdão, porque eu beijei várias bocas desejando uma, olhei vários rostos esperando um sorriso, e isso é odioso, eu usei outras pessoas para o meu propósito de tentar viver sem ele, e por isso peço perdão.

Mas agora que eu sei, que eu tenho essa certeza tão palpável quanto os cabelos dele, eu estou indo, atrás dessa oportunidade, de ser feliz com ele, de voltar a existir.

Sabe, com certeza voce acha que é um esforço muito grande o que eu faço pra ir te ver, sair de casa, pegar ônibus, esperar algumas horas, mas sendo sincera, eu só o faço por egoísmo, porque eu preciso de você, eu faço isso pra me sentir bem. Eu esperaria uma vida toda pra ganhar só um anoitecer como aquele, ainda que silencioso, aonde eu era a observadora, vendo o que pra mim é o mais lindo no mundo.

É um caminho longo demais até a sua confiança, um que não importa quais pedras apareçam, porque se antes eu tinha um mínimo de dúvida que me permitia dormir em hotéis com "estranhos" e ter "namoros" super sônicos, agora não existe nada. Nem uma dúvida de que o caminho que a minha pedrinha interferiu com certeza se tornou mais bonito e feliz com sua presença.

Eu não me importo de te esperar. Porque se eu não disse pessoalmente..fica aqui com as palavras que mais admiro (as escritas, que pra mim são promessas) que eu te amo.

E tudo o que eu quero por agora e outro período ilimitado de tempo..é você.

Dedicado aquele o qual o nome não pode ser dito (Lord Valder...Opsss)

 

 

publicado por serenaatedemais às 23:48
Precisando de : apaixonada e decidida
Ouvindo: The Last time I saw Richard - Legião Urbana

04
Mar 09

A parede amarelo clara, as poltronas azuis, aquele tapete cheio de desenhos que borboletavam no chão. E ele em fretne em mim. Eu pudia reconhecê-lo em qualquer lugar do mundo. Seu rabo de cavalo grisalho era inesquecível.

Estavamos no consultório, na terapia como havia acontecido muitas outras vezes, mas desta vez eu não estava sentada a sua frente. Eu estava do lado de fora da cena, como que num cinema comendo pipoca e observando a conversa tentando entender do que falavam.

As pontas dos seus dedos se encontrando, sua cabeça jogada pra trás, ele pensando na pergunta. Agora os olhos fechados olhando em frente, como se me visse.

-Você é feliz?? - a pergunta saia como como um corte de papel, um pequeno mas visível corte no dedo. Surpresa, poucas vezes estive assim, porque poucas coisas conseguiam me deixar constragida, mas essa, eu descobri rápido. Fora uma delas.

-Sim, bom..não completamente, mas sei que devo ser grata por tudo que tenho, sabe..comparando a um mendigo, que não tem ninguém, nem lugar pra morar. Sou feliz por isso..tenho muito. -estava embaraçada, sem saber se fora convincente o suficiente.

-Você precisa se comparar a um mendigo pra se sentir feliz??- Ele abrira os olhos.

Aquele foi o segundo corte. um pouco maior. Tentava apertar meus dedos bem juntos, mesmo sabendo que não existia nada sangrando. Não de verdade, só numa parte onde ninguém via.

Antes que eu pudesse me ver respondendo a pergunta, tudo ficou escuro. E fui sendo puxada pra trás, levada pela mão. Estava tão escuro, e eu com medo olhava pra baixo, só parei quando senti meu pé batendo em algo. Quando olhei pra cima, vi um caixão. Me lembro bem demais daquele maldito caixão, lá dentro como sempre, estava meu pai. Ele estava bem paradinho, eu comecei a tatear seu rosto, bem devagar tentando guardar cada sensação do contato dos meus dedos com sua pele fria, cada marca facial, ruga, cicatriz queria guardar tudo em mim, as lágrimas corriam soltas, até que de repente ele respirou fundo, seus olhos se abriram.

-Esta fazendo cócegas, desse jeito não posso dormir- não estava bravo, ou chateado, pediu com calma. E deu um sorriso, a boca, com algodão caindo pelos cantos.

O soltei, fiquei imóvel sem saber o que dizer, andando pra trás, até tudo ficar escuro de novo, e silencioso. O terrível silêncio, e eu caladinha encolhida no chão, tentando entender o que estava acontecendo.

De repente ouço risadas, altas, gostosas de se ouvir, soltas e leves, como bolhas de sabão. Olhei em frente, eu estava deitada no meio do corredor de um hotel, e na hora pude perceber o rapaz parado a minha frente. Alto, magro e inbrozeável. De boné, cabeça baixa me oferecendo a mão como apoio, eu levantei, ele passou a mão por meu cabelo e deu um beijo na minha testa. Ele me deixava tranquila, agora eu iria embora daquele pesadelo pra um sonho. Precisava disso, de paz, de calma, ter certeza que ele ficaria comigo.

- Meu cabelo é liso, eu não faço chapinha- foi uma coisa idiota, estúpida de se dizer, então pensei "por que diabos disse aquilo??".

- Eu sei, ninguém disse isso.- Me olhou com cara séria, e a mão fazendo sinal de negativo. Me senti mais idiota ainda por aquilo, ele foi andando na frente pra pegar o elevador, eu fui atras, ele indo cada vez mais rápido, agora eu correndo para alcançá-lo.

- Não vá embora, me espere, por favor, só um pouco.

Eu estava sozinha agora, sozinha de novo. Até alguém sussurar no meu ouvido -

"Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor "
- Eu sabia muito bem de quem era aquela voz, porque a adorava, me virei alegre. E tudo o que via era um vulto correndo.

-Você tem que ficar sozinha.

Ele sumira completamente, e eu sentia uma mão gelada me segurando. Relutei em me virar, estava cansada daquilo, cansada demais pra lutar contra o medo.

Olhei.

Era uma menina. Eu sabia quem era. Era a MINHA Luiza..a minha Luz. Estava chorando e pedia ajuda, tinha queimado o braço, e ela gritava de dor. Eu entrei em desespero, corremos pela escuridão procurando ajuda, até tudo começar a ficar estranhamente claro, estávamos no meio do nada, no meio do mato. Eu sabia onde estávamos. No meu trabalho, quer dizer..na vegetação da fazenda. E o fogo parecia comer tudo em volta, a segurei em meus braços, chorando, chorando, o medo explodindo nas lágrimas. Ela me olhou, se afastou:

-Estou indo embora, não quero ficar com vc, não quero.- Se virou e foi indo.

Eu correndo atrás dela, não a deixaria sozinha. Não queria ficar sozinha.

- Por favor, minha luz, fique, não vá.- A toquei, segurei seu braço, e de repente, ela foi derretendo, virando cinzas.

- viu o que você fez, Priscylla, você sempre faz isso. Tudo o que toca...morre de alguma maneira.- E morreu.

O fogo chegando, e eu caída no chão, chorando,chorando, chorando..sozinha.

Quando acordei, suada, e coberta por lágrimas não sabia quanto tempo durava o sonho/pesadelo. Pareceu uma eternidade.

Eram 3:47 da manhã. Não consegui dormir, não tinha vontade disso, tinha na verdade medo de começar tudo de novo, de novo e de novo. Fiquei olhando o teto, pensando e entendendo como de uma aluna de ensino médio quase feliz tinha passado para uma assalariada deprimida. Um zumbi, faminto não por cerebros como a maioria, mas por sentimentos, qualquer coisa que me fazesse sentir viva. Desde..muito tempo, eu já não ligo pra nada, amigos me são indiferentes, musicas não me tocam, ou emocionam, livros não surtem o mesmo efeito. Estou louca, obcecada, terrivelmente sozinha, e nem ao menos posso dizer porque estou assim.

O sonho acabou mais ficou rodando em mim o dia todo. Mostrando o quanto eu era prejudicial a quem estava comigo.

Tudo o que mais quis..talvez ainda queira mas não com tanta vontade é morrer.

E é idiotice pensar nisso, porque quanto mais se quer, mais longe se esta. Percebi que não tinha mais medo de morrer, hoje quando acordei, tudo o que eu queria e precisava era morrer. Não importa a dor que causasse na minha vó..era isso o que eu queria.

Em parte é isso que quero.

publicado por serenaatedemais às 21:12
Precisando de : vazia
Ouvindo: Eyes on fire- Blue Foundation

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