27
Jan 09

Tem dois anos que tenho blog, mas nunca escrevi uma linha sobre meu aniversário. E nem sei por que não o fiz antes. Adoro aniversários, aprendi a gostar quando era pequena. Meu pai me ensinou que nesse dia eu teria que avaliar tudo o que fiz durante um ano, e considerar se foi bom ou não, e o que eu poderia ter feito pra melhorar as coisas. Ele também me ensinou a me presentear, sempre que fizesse algo que tenho medo ou que pensasse que não tinha coragem o suficiente pra fazer.

Ele me ensinou a contar estrelas de dois em dois, porque acreditava que as estrelas eram namoradeiras e viviam em par. Me ensinou que o ato de nascer é tão lindo quanto o de término da vida, pois é quando uma nova história pode ser reescrita dia após dia. Por isso eu gosto de ler, amo meus livros e vivo cada conto que leio.
Meu pai gostava dos meus cabelos e só ele sabia como mexer neles pra me fazer dormir. Uma vez um cara mexeu no meu cabelo daquele jeito, estávamos dentro de um táxi e eu queria um engarrafamento. O Pedro Pintor como chamavam meu pai, não gostava de futebol, gostava dos exercícios mentais, e por isso durante 4 aniversários me deu livros. Eu acho que ele gostaria de futebol se me visse jogando no 2° ano, como goleira.
Minha mãe já foi cigana, do verbo “não parar quieta em canto nenhum” uma vez ela veio duas semanas depois do meu aniversário e me deu uma saia de cigana, eu fiquei alguns meses usando, e mal podia me separar dela que abria o berreiro.
O pior aniversário de que me lembro foi na 3° serie porque eu reprovei, mas ninguém brigou comigo porque era “O meu dia”, então meus tios nem olharam na minha cara, apenas deixaram recado com a minha vó. Meu pai não apareceu.
Depois na véspera do Natal, ele veio e me entregou uma pulseira com três pedrinhas brilhantes e disse que uma era eu, a outra ele, a última meu irmão. Que sempre estaríamos juntos, e que quando eu ficasse com saudade usasse a pulseira. Dias depois, desastrada como sou quebrei o fecho, chorei dias e dias pedindo pra minha vó arrumar, como ela não quisesse,  eu roubei fita durex e enrosquei na pulseira toda, mas nem assim deu jeito.
Minha bisavó sempre me dava calcinhas com estampas engraçadas: Teletubbies, Mickey mouse, pato Donald, a que eu mais gostava era do Snopp. Depois que ela morreu nunca mais me deram calcinhas como aquelas. Ela costumava me abraçar bem apertado e dá um beliscão na minha bunda. Eu ficava tão pertinho que sentia o cheiro de talco. Nos outros dias do ano sempre brigávamos, mas no meu aniversário podia sentir que “aquilo” entre a gente era amor.
Desde pequenininha minha vó me acordava cedo, me dava um abraço e falava coisinhas no meu ouvido, as vezes eu nem entendia porque tava embriagada de sono, mesmo assim sempre chorávamos. Porque como minha vó trabalhava o ano inteiro,saia super cedo e chegava tarde da noite, nesse dia ela chegava atrasada no trabalho só pra me dar aquele abraço, além de ir a padaria e comprar  um pedaço de rocambole pra mim, o que virou uma espécie de “tradição”. Todos os meus aniversários têm coisas diferentes, legais, únicas e que fazem eu me sentir amada. Não pelo presentes, ou pelos desejos de felicidade, parabéns e blábláblá, mas pelas  pessoas que estão comigo que o tornam o melhor que qualquer outra coisa poderia ser.
Obrigada.
Por estarem comigo, me suportar, me ouvir, por entender que as minhas palavras são tudo que posso oferecer como agradecimento por serem tão maravilhosos.
Apenas Obrigada.
publicado por serenaatedemais às 18:23

10
Jan 09

Um dia quando era mais nova fui conhecer a chácara de um namorado da minha mãe. Ele era uns 40 anos mais velho que ela. Estávamos conversando sobre a natureza e as coisas que o homem faz com ela, eu o disse que prendiam as borboletas, que as caçavam como se fossem perigosas, depois com a ajuda de alfinetes as colocavam em quadros pra ficar olhando e diferenciando as espécies. Lembro que ele me olhou com espanto, e com um sotaque meio caipira disse “Num pode uaii, fazer isso com umas coisa tão linda, tem que deixar as borboleta avoar pelo céu”. No dia eu achei graça, o seu jeito meio bobo de falar, as idéias tão bonitas e ingênuas que ele tinha sobre liberdade. Depois entendi que a boba era eu.

A gente não sabe amar, ensinam de maneira errada, ou escravizamos ou somos escravizados, não aprendemos a deixar o amor livre, queremos ele como as borboletas em seus quadros. Como os passarinhos numa gaiola.
Minha vó todo dia acordava cedo e jogava arroz no quintal, era o seu jeito de chamar os passarinhos pro café da manhã, e ficava conversando com eles. Um dia ela estava triste, quando eu perguntei porque ela disse “O brilhoso, um passarinho todo pretinho não apareceu hoje pra comer”, então eu falei “porque a senhora não prende os passarinhos na gaiola assim vai saber que estão sempre bem, e vai tê-los perto”. Ela me disse que não queria eles tristes e por isso não os trancava, deixava arroz pra aconchegá-los, só isso. Tem gente que gosta tanto do canto do passarinho que põe ele numa gaiola pra ouvir seu canto sempre que quiser. Enganam-se, canto de coração preso é tristeza, solidão e acima de tudo saudade de liberdade, de voar pela imensidão do céu, de ir pra onde quiser. Canto mais bonito é quando ele voa tanto que esta cansado de voar, eu não sei falar passares, mas sinto que aquilo é alegria.
Há quem ame assim, prendendo tudo aquilo que ama achando que assim será feliz, amando de maneira egoísta, pensando apenas em si. Mas amor, verdadeiro, puro, amor que palavra nenhuma explica são como os passarinhos da minha vó, mesmo quando não tem arroz ele vem pra ouvir a voz dela.
Uma garota que eu nunca vi na vida, que nunca falou comigo, me mostrou que o amor é liberdade. Em sua forma mais simples e também mais confusa. Eu aprendi a amar assim, errado: Com eus te amos, eus te quero, sem saber que amor também é sacrifício, não é se amar menos que ao outro, apenas ama-ló de um jeito diferente. Deixando que ele seja feliz ainda que não com você.
E eu amo. Esse cara, esse homem, esse amigo. Que mesmo sem saber me ensinou muito mais estando longe.
Sempre fui persistente, em casa,nos estudos, com meus amigos e achei que com o amor também era pra ser assim esforçada, resistente, mas esta errado. Quando duas pessoas se amam elas simplismente ficam juntas porque não existe obstáculo que não possa ser superado. Em alguns casos o amor adormece dentro da gente, fica esperando aquele alguém voltar, e o tempo passa, e a vida anda, o amor não acaba se é verdadeiro ele se afoga em suas lembranças. Pra voltar quando os dois estiverem prontos.
Eu não quero mais tentar prender quem eu amo, com minhas paranóias, meus medos, desejos. Agora estou reaprendendo a amar, pra me deixar ser amada. Sei que não estou totalmente certa, mas nem quero estar sempre certo é um saco, eu quero errar, muito e sempre pra poder aprender.
Amor é como passarinho tem quer ser criado solto. Livre de si mesmo. Voando sob todos os medos, encarando o horizonte que não chega nunca, mas esta logo ali na frente. Eu vou continuar te amando.
Eu sei que vou te amar – Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
 
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
 
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
 O que esta ausência tua me causou
 
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
 
Possuímos poucas certezas na vida. E nem todo  dinheiro do mundo pode comprar a certeza que carrego comigo.
publicado por serenaatedemais às 00:26
Precisando de : apaixonada
Ouvindo: Eu sei que vou te amar - Tom Jobim
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